Você encontrou uma empresa na bolsa que parece interessante, viu o preço da ação e ficou pensando:
Será que vale a pena investir?
Essa é uma dúvida comum, principalmente para quem está começando na renda variável.
O problema é que olhar apenas para o preço de uma ação não diz se uma empresa é boa, ruim, cara ou barata.
Antes de investir, é importante entender o negócio, seus resultados, suas dívidas, sua capacidade de gerar dinheiro e o preço que o mercado está cobrando por uma participação naquela empresa.
A boa notícia é que você não precisa ser um especialista em mercado financeiro para começar a fazer uma análise.
Neste guia, você vai conhecer 7 pontos importantes para analisar uma ação antes de investir e entender o que observar em cada um deles.
1. Entenda como a empresa ganha dinheiro
Antes de olhar qualquer indicador, comece pelo básico:
O que essa empresa faz?
Parece uma pergunta simples, mas ela é fundamental.
Imagine que você esteja analisando uma empresa de energia, um banco, uma companhia de petróleo ou uma empresa de varejo.
Cada negócio possui características completamente diferentes.
Procure entender:
o que a empresa vende;
quem são seus clientes;
de onde vem sua receita;
quais são seus principais produtos ou serviços;
em quais mercados atua;
quais são seus principais concorrentes.
Se você não consegue explicar de maneira simples como a empresa ganha dinheiro, talvez ainda não conheça o negócio o suficiente para investir.
Uma ação não é apenas um código na tela.
Quando você compra uma ação, está adquirindo uma pequena participação em uma empresa.
Por isso, entender o negócio vem antes de escolher o indicador.
2. Analise o crescimento da receita e do lucro
Depois de entender o negócio, chegou a hora de olhar para os resultados.
Dois pontos importantes são a receita e o lucro.
A receita mostra quanto a empresa gerou com suas atividades.
Já o lucro representa o resultado que sobra depois de descontados os custos, despesas e demais efeitos contábeis e financeiros.
Uma empresa pode aumentar suas vendas, mas isso não significa necessariamente que esteja se tornando mais lucrativa.
Por isso, não olhe apenas para o faturamento.
Procure observar a evolução dos resultados ao longo dos anos.
Pergunte:
A empresa está crescendo?
O lucro está aumentando ou diminuindo?
O crescimento parece consistente?
Existem períodos muito diferentes entre si?
Uma fotografia de um único trimestre pode esconder muita coisa.
Por isso, olhar o histórico ajuda a entender melhor a trajetória da empresa.
3. Observe o endividamento
Uma empresa pode apresentar bons resultados e ainda assim carregar uma dívida elevada.
Por isso, o endividamento merece atenção.
Dívida não é automaticamente algo ruim.
Empresas podem utilizar recursos de terceiros para investir, expandir operações e financiar projetos.
O problema aparece quando o nível de dívida se torna difícil de administrar.
Ao analisar uma empresa, procure entender:
quanto ela deve;
quanto possui em caixa;
quanto paga de juros;
se a dívida está crescendo;
se consegue gerar dinheiro suficiente para cumprir suas obrigações.
Também é importante comparar empresas do mesmo setor.
Uma determinada quantidade de dívida pode ser normal para uma empresa de um segmento e muito elevada para outra.
Por isso, indicadores financeiros devem ser analisados dentro do contexto do negócio.
4. Veja se a empresa gera caixa
Lucro e dinheiro em caixa não são exatamente a mesma coisa.
Uma empresa pode apresentar lucro contábil e, ao mesmo tempo, ter dificuldades para transformar esse resultado em dinheiro disponível.
Por isso, o fluxo de caixa é uma parte importante da análise.
Uma empresa saudável precisa ter capacidade de gerar caixa por meio de suas operações.
Pergunte:
O negócio consegue gerar dinheiro de forma recorrente?
O caixa está melhorando ou piorando?
A empresa precisa constantemente buscar novos recursos para financiar suas operações?
A geração de caixa também ajuda a entender a capacidade da empresa de investir, reduzir dívidas e distribuir recursos aos acionistas.
5. Analise a rentabilidade do negócio
Outro ponto importante é entender o quanto a empresa consegue gerar de retorno utilizando os recursos que possui.
Um dos indicadores bastante conhecidos é o ROE, sigla para Return on Equity, ou retorno sobre o patrimônio líquido.
De forma simplificada, ele ajuda a avaliar quanto resultado a empresa gera em relação ao patrimônio dos acionistas.
Mas existe um detalhe importante:
nenhum indicador deve ser analisado sozinho.
Um ROE elevado, por exemplo, pode ter diferentes explicações e precisa ser colocado em contexto.
Compare empresas do mesmo setor e observe o histórico.
Também procure entender por que determinado indicador está em determinado nível.
Isso é mais importante do que simplesmente procurar o maior número.
6. Observe os dividendos, mas não olhe apenas para eles
Para muitos investidores, os dividendos são uma parte importante da estratégia.
Quando uma empresa distribui parte de seus resultados aos acionistas, o investidor pode receber esses proventos de acordo com as regras e decisões da companhia.
Mas existe um erro bastante comum:
escolher uma ação apenas porque ela apresenta um dividend yield elevado.
Um dividendo alto não significa automaticamente que a empresa seja um bom investimento.
Antes de olhar apenas para o percentual, procure entender:
a empresa gera caixa?
o lucro é consistente?
os dividendos são sustentáveis?
a empresa possui uma dívida elevada?
o pagamento aconteceu de maneira recorrente?
existe alguma razão excepcional para aquele dividendo estar elevado?
Uma distribuição extraordinária pode fazer o dividend yield parecer muito atraente em determinado período.
Por isso, é importante olhar além do número.
7. Analise o preço da ação
Depois de analisar a empresa, chegamos a uma das partes mais importantes:
Quanto o mercado está cobrando por ela?
Uma empresa excelente pode não ser necessariamente um investimento interessante a qualquer preço.
Da mesma forma, uma empresa que parece barata pode estar barata por algum motivo.
É aqui que entram conceitos de valuation, que procuram estimar quanto uma empresa pode valer considerando seus resultados, geração de caixa, crescimento e outros fatores.
Alguns indicadores bastante utilizados nessa análise são:
P/L, ou preço sobre lucro;
P/VP, ou preço sobre valor patrimonial;
EV/EBITDA;
dividend yield;
margem líquida;
ROE.
Mas atenção:
não existe um indicador mágico que diga sozinho se uma ação está barata ou cara.
O P/L de uma empresa precisa ser analisado considerando seu setor, seu crescimento, seus riscos e sua qualidade.
O mesmo vale para os demais indicadores.
O número isolado conta apenas uma parte da história.
Como juntar os 7 pontos?
Agora imagine que você encontrou uma empresa que parece interessante.
Em vez de olhar apenas para o preço da ação, faça uma análise mais completa:
1. Entenda o negócio
O que a empresa faz e como ganha dinheiro?
2. Veja os resultados
A receita e o lucro estão evoluindo?
3. Analise as dívidas
O endividamento parece administrável?
4. Observe a geração de caixa
A empresa consegue transformar suas operações em dinheiro?
5. Avalie a rentabilidade
Ela consegue gerar bons retornos sobre o capital empregado?
6. Entenda os dividendos
Os pagamentos são sustentáveis ou existe algum fator extraordinário?
7. Analise o preço
O valor pelo qual o mercado está negociando a empresa faz sentido diante de seus fundamentos?
Essa análise não elimina o risco.
Mas pode ajudar a substituir uma decisão baseada apenas em emoção por uma decisão mais consciente.
Se você ainda está aprendendo como organizar diferentes investimentos dentro de uma estratégia, vale também conferir Carteira de Investimentos.
Onde encontrar essas informações?
Você não precisa depender apenas de vídeos, comentários em redes sociais ou opiniões de outros investidores.
As próprias empresas divulgam informações financeiras e operacionais ao mercado.
Também existem plataformas e páginas especializadas que organizam indicadores e resultados.
Ao pesquisar uma empresa, procure principalmente:
resultados financeiros;
balanços;
demonstrações financeiras;
fatos relevantes;
informações sobre dívida;
resultados trimestrais;
apresentações aos investidores;
histórico de dividendos.
Quanto mais próximo da fonte original estiver o dado, melhor.
E lembre-se:
indicador serve para ajudar na análise, não para substituir a análise.
Como comparar duas ações?
Imagine que você esteja analisando duas empresas do mesmo setor.
Em vez de simplesmente perguntar:
“Qual ação está mais barata?”
faça perguntas melhores.
Qual empresa possui maior crescimento?
Qual apresenta melhor rentabilidade?
Qual possui uma situação financeira mais confortável?
Qual gera mais caixa?
Qual apresenta melhores perspectivas?
Qual está sendo negociada a um preço mais coerente com seus fundamentos?
Essa comparação permite enxergar que uma ação aparentemente mais barata pode não ser necessariamente a alternativa mais interessante.
O preço precisa ser analisado junto com a qualidade e as perspectivas do negócio.
Não confunda preço baixo com ação barata
Esse é um dos erros mais comuns entre investidores iniciantes.
Uma ação que custa R$10 não é necessariamente mais barata que uma ação que custa R$100.
O preço de uma ação isoladamente não informa quanto vale a empresa.
Uma companhia pode ter milhões ou bilhões de ações em circulação.
Por isso, analisar apenas o valor de cada ação pode levar a conclusões equivocadas.
É necessário olhar para o valor de mercado e, principalmente, para os fundamentos da empresa.
Uma ação pode custar R$5 e estar cara.
Outra pode custar R$200 e estar sendo negociada a um preço considerado razoável pelos critérios utilizados na análise.
E se os indicadores estiverem bons, mas a ação cair?
Isso pode acontecer.
Mesmo uma empresa com bons fundamentos pode ter suas ações desvalorizadas.
O mercado pode reagir a:
mudanças nas expectativas;
juros;
inflação;
cenário econômico;
resultados abaixo das expectativas;
acontecimentos políticos ou regulatórios;
mudanças no setor;
fatores internacionais.
Por isso, uma boa empresa não significa necessariamente uma ação que sobe todos os dias.
Renda variável significa justamente que os preços podem oscilar.
O investidor precisa separar duas coisas:
a qualidade do negócio
e
o comportamento do preço no curto prazo.
Os 7 pontos em uma análise simples
Se você quiser transformar tudo isso em um pequeno roteiro para consultar antes de estudar uma ação, pode usar esta sequência:
1. O que a empresa faz?
2. A receita e o lucro estão crescendo?
3. Como está o endividamento?
4. A empresa gera caixa?
5. Ela apresenta boa rentabilidade?
6. Os dividendos são sustentáveis?
7. O preço atual faz sentido diante dos fundamentos?
Não é uma fórmula para prever o futuro.
É apenas uma forma de organizar o raciocínio.
Se você está começando a investir com pouco dinheiro, também pode ser útil entender as possibilidades antes de escolher seus primeiros ativos. Confira Onde Investir R$ 1.000 e veja como diferentes alternativas podem ser avaliadas.
Erros que você deve evitar ao analisar uma ação
Comprar porque alguém recomendou
Uma recomendação pode despertar seu interesse por uma empresa, mas não substitui seu próprio estudo.
Olhar apenas o preço
Uma ação ter caído não significa automaticamente que ficou barata.
Procurar apenas dividendos
Dividendos elevados podem chamar atenção, mas precisam ser analisados dentro da realidade financeira da empresa.
Usar apenas um indicador
Nenhum indicador consegue explicar sozinho a qualidade de uma companhia.
Ignorar o setor
Uma empresa deve ser analisada dentro do contexto em que atua.
Olhar apenas um trimestre
Resultados pontuais podem sofrer influência de acontecimentos extraordinários.
Investir sem entender o negócio
Se você não sabe como a empresa ganha dinheiro, talvez ainda não esteja preparado para investir nela.
Analisar uma ação é diferente de tentar prever o futuro
Essa talvez seja uma das ideias mais importantes para quem está começando.
Analisar uma empresa não significa descobrir exatamente quanto sua ação vai valer daqui a um ano.
Ninguém possui uma bola de cristal.
A análise serve para entender melhor o negócio, seus resultados, seus riscos e o preço pelo qual o mercado está negociando aquela participação.
O futuro continua sendo incerto.
Por isso, o objetivo não precisa ser acertar todas as ações.
Pode ser simplesmente tomar decisões mais conscientes e evitar investimentos que você não entende.
E quanto mais tempo seu dinheiro permanece investido, mais importante se torna entender como os rendimentos podem se acumular ao longo dos anos. Para aprofundar esse assunto, confira O Que São Juros Compostos e Como Funcionam? Guia Completo com Exemplos.
Construir patrimônio vai além de escolher ações
Analisar empresas é apenas uma parte de uma estratégia financeira maior.
O objetivo de investir não precisa ser simplesmente acompanhar a bolsa ou encontrar a próxima ação que vai subir.
Para muitas pessoas, investir está relacionado à construção de patrimônio ao longo dos anos.
Isso envolve organizar a vida financeira, controlar despesas, aumentar a capacidade de fazer aportes e tomar decisões conscientes com o dinheiro.
Se você está nessa caminhada e acredita que também é possível construir patrimônio mesmo começando com pouco, continue com Como Construir Patrimônio Ganhando Pouco.
Perguntas frequentes sobre análise de ações
Como saber se uma ação é boa?
Não existe um único indicador que determine se uma ação é boa. É importante analisar o negócio, seus resultados, endividamento, geração de caixa, rentabilidade, dividendos, riscos e preço.
Qual o primeiro indicador para analisar uma ação?
Antes mesmo de olhar indicadores, procure entender a empresa e seu modelo de negócio. Depois, analise seus resultados financeiros e outros indicadores de acordo com o setor.
Como saber se uma ação está barata?
É necessário comparar o preço da ação com os fundamentos e as perspectivas da empresa. Indicadores como P/L e EV/EBITDA podem ajudar, mas nenhum deles deve ser utilizado isoladamente.
É possível analisar uma ação sem ser especialista?
Sim. Você pode começar pelos conceitos básicos e aumentar seu conhecimento gradualmente. O importante é não investir em algo que você não entende.
Dividendos altos significam que uma ação é boa?
Não necessariamente. Dividendos precisam ser analisados junto com lucro, geração de caixa, endividamento e sustentabilidade dos pagamentos.
Qual a diferença entre preço e valor de uma ação?
O preço é o valor pelo qual a ação está sendo negociada no mercado. O valor envolve uma análise mais ampla da empresa, considerando seus resultados, ativos, capacidade de geração de caixa, crescimento e perspectivas.
Antes de investir, conheça o que você está comprando
Analisar uma ação não precisa ser um processo assustador.
Você não precisa começar sabendo interpretar dezenas de indicadores.
Comece pelo básico.
Entenda a empresa.
Veja como ela ganha dinheiro.
Analise seus resultados.
Observe suas dívidas.
Confira sua geração de caixa.
Entenda os dividendos.
E, por fim, avalie se o preço da ação faz sentido diante de tudo aquilo que você descobriu.
Quanto mais você aprende, menos depende de seguir simplesmente o que outra pessoa está fazendo.
E esse talvez seja um dos maiores benefícios de aprender a investir:
você começa a tomar decisões com mais conhecimento e mais consciência sobre o seu próprio dinheiro.
No mercado de ações, não existe garantia de lucro.
Mas existe uma diferença enorme entre comprar uma ação porque alguém falou que vai subir e investir depois de entender o negócio que está por trás daquele código.
Continue aprendendo com o O Que é Meu
Se você quer continuar aprendendo sobre investimentos, acompanhe também os outros conteúdos do O Que é Meu.
Aqui você encontra conteúdos sobre investimentos, economia, finanças e construção de patrimônio para entender melhor como cuidar do seu dinheiro e tomar decisões mais conscientes.

.jpg)
0 Comentários